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quarta-feira, 23 de julho de 2014

O Delator.


Ele chegou sorrateiramente. De repente ele estava ali em meio a floresta negra, paquidérmicamente ali; estaqueado, duro, teso e brilhante. Destacava-se dos demais e causou-me estranheza.
O que ele estava fazendo ali? O primeiro ímpeto foi arrancá-lo, espedaçá-lo e pisoteá-lo, atear fogo talvez . Desisti porque dizem as más línguas que a partir deste momento, ele volta com mais força, multiplica-se feito erva daninha.
Esse vilão cruel , muitos já tiveram a oportunidade de conhecer, outros ainda não, mas com certeza esse dia chegará. Para uns ele chega um pouco antes , para outros pode demorar um pouquinho: O primeiro fio de cabelo branco.
A sua presença foi um choque de realidade. Eu com alma de menina deparei-me com o meu delator. Ele veio alertar-me de que o tempo passou . Que daqui para frente tudo mudaria e que muitas coisas já haviam mudado e eu nem percebi. Afinal de contas, vivo comigo todos os dias. Quantas marcas de expressão já devem ter aparecido e gordurinhas protuberantes.
Entendi que o corpo se modifica mas o sorriso de moleca e os sonhos de adolescente estão vívidos . Não percebi a passagem do tempo mas conclui que a alma não envelhece nunca.
AMARAL, Janice

terça-feira, 22 de julho de 2014

Insônia


Deitei na cama, virei para um lado, virei para o outro lado e assim sucessivamente. Deitei de costas. Abri os olhos e só vi a escuridão.
Estranho. Muito estranho. Quando eu era criança tinha medo de abrir os olhos, dormia sempre com alguma luz acesa. Tinha medo de me deparar com alguma criatura estranha ao lado da cama e confesso até pouco tempo tinha esse hábito.
Com os olhos abertos na escuridão, fiquei pensando, como deve ter sido triste para o meu pai permanecer na escuridão durante quinze anos. Como a sensação que tive por alguns minutos,só que durante todo tempo, exceto quando sonhava.
Certo dia ele disse: -“Gosto de dormir, porque nos meus sonhos eu consigo enxergar, tudo tão claro, tão nítido. Vejo os rostos, as pessoas sorrindo, os lugares que já percorri e lugares que desconheço”.
Será que a alma tem olhos?
Nesse caso o Gênio Maligno de Descartes o enganaria ao fazê-lo pensar que havia voltado a enxergar, enquanto apenas sonhava.
Pensando assim, consigo admirar ainda mais aquela figura, minha figura paterna, que tenho em minha mente guardada. Um Homem que nunca desistiu de voltar a enxergar e não permitia que sentissem pena dele. Certo dia duas senhoras chegaram lá em casa para profetizar e foram conversar com ele que estava sentado ao lado da velha casa, tomando sol, elas se aproximaram e o cumprimentaram e quando perceberam que ele não podia vê-las elas ficaram surpresas e disseram: -“Coitadinho, ele não enxerga.” E ele mais que de pronto respondeu: “-Eu não sou coitadinho, eu sou feliz por estar vivo e por poder sustentar minha família, não peço e nem vou pedir esmola para ninguém”. Elas ficaram envergonhadas, se desculparam e foram embora. A resposta foi um pouco rude mas demonstrou toda a sua hombridade.
No início ele ficou muito revoltado com a essa perda irreparável, aos poucos foi se adaptando. Continuou com seus afazeres. Consertava as cercas de arame, pregava algumas tábuas que se desprendiam da parede da velha casa. Acredite mesmo cego ele conseguia pregar sem martelar seus dedos, apenas com a habilidade do tato. Prendia as éguas na charrete e saia para fazer suas negociações. Trocava o excedente da produção por outras mercadorias que não produzíamos na chácara. Saia com sacas de laranja e voltava para casa com sacos de cebola, batatas.
Quanto a sua memória fotográfica,algo fora do comum. Os olhos da alma o guiavam, falando poeticamente. Cientificamente possuía uma excelente memória, apurou os sentidos e assim por diante...
Quando ele faleceu estava com medo de vê-lo num caixão, porém quando o vi, ele estava com um sorriso lindo, parecia que estava sonhando. Acredito que tenha voltado a enxergar. Isso aliviou meu coração.
Quando li Ensaio sobre a Cegueira, romance de José Saramago, fiquei encantada, pois autor nos faz lembrar "a responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam".
“Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara”.
Muitas vezes, reparamos apenas a vida alheia.




segunda-feira, 9 de junho de 2014

Paradóxos

Quando eu era criança os dias eram intermináveis e divertidos;
Os finais de semana pareciam verdadeiras odisseias, infindáveis e deliciosos;
O Natais e as Páscoas eram as datas mais esperadas para comemorar e reunir a família e como custava para chegar;
E a única coisa que queríamos era ser gente grande;
Gente grande para poder trabalhar;
Gente grande para poder namorar;
Gente grande para sair da casa da mãe;
Hoje, gente grande sou eu ( nem tanto assim rsrs) e o tempo voa;
Num piscar de olhos o final de semana passa;
O mês passa;
O ano passa;
A Páscoa chega e é apenas mais um dia;
O Natal chega em outubro com suas propagandas do”bom velhinho” e logo passa;
Tudo o que queremos, ás vezes, é um dia de folga do trabalho
Uma folga do namorado (a) e correr para o colo da mãe...
E ai vem alguém e diz: "Até uva passa".(Putz)

AMARAL.Janice

Idiossincrasias


Entre o foco e a cegueira há uma linha tênue;
Entre a sanidade e loucura apenas um fio;
Entre o amor e o ódio uma linha indivisível;
Entre a alegria e a dor apenas um acontecimento;
A racionalidade e a irracionalidade são indissociáveis;
A bondade e a maldade depende da interpretação;
O SIM pode ser mau;
O NÃO pode ser bom;
O Ateu pode amar DEUS e o
O crente pode apenas temê-lo...
Eu temo apenas a maldade dos HOMENS
AMARALJanice

sábado, 31 de maio de 2014

Bebum

Primeira Heinneken
Ei psiu, moça:
- Por favor um sanduíche de nada.
Como:
-Um sanduíche de nata? Questiona a atendente
-Ufa, você não entende nada mesmo, eu falei nata.

Terceira heinneken
- Me dá um gato, por favor!
- Um petit gatô Senhora?
- Sim eu Peti Gato...
kkkk Que m...
Todos nós temos nossos monstros internos,porém alguns mantêm eles presos o tempo inteiro e outros os soltam de vez em quando...JA
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O MEU conceito de Angústia.


É uma aflição, inquietação interna, sem justificativa aparente , esta tudo bem e você esta sentindo falta de sei lá o que e suspira inúmeras vezes; pensa que tem tudo ou quase tudo que NECESSITA para ter uma vida plena, mas mesmo assim insiste em suspirar e questiona: O que é vida plena? Sei lá, para que preciso saber isso? Que mania absurda de conceituar tudo, de entender tudo. Nem tudo é para ser entendido, nem tudo pode ser sabido ou mesmo conceituado.
Benditos sejam os ignorantes , esses não sofrem porque simplesmente não querem saber o significado de tudo nem os seus porquês.
E os sabidos de plantão que tentam entender algo e acham que entendem alguma coisa, a única coisa que passam a entender é que não entenderam NADA.