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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

A mudança de valores do homo laborans em tempos de Pandemia

Hannah Arendt previu uma sociedade convertida em trabalhadores, homens condicionados à saciedade de suas necessidades primárias e outros escravos de necessidades criadas, necessidades materiais e de consumo. A vida ativa imposta como virtude primordial do ser humano. Virtude colocada acima das atividades contemplativas, tais como,o pensar. Sendo assim, condicionados a um automatismo e como consequência, sem senso crítico, facilmente manipuláveis. No entanto, no último capitulo da Condição Humana ela aborda o processo histórico e a perda de fé do homem pós “era medieval” que pôs em dúvida a imortalidade. O que remete ao momento em que vivemos diante de uma pandemia, o que se coloca em xeque agora, é nossa mortalidade. Agora lutamos pelo mero estar vivo, a certeza do amanhã se esvaiu. Para ela ao perder a certeza do amanhã, o homem é arremessado para dentro de si mesmo. Ele sai do mundo exterior, no qual, nem certeza tinha de que era real e submerge em sua interioridade. Ao se dar conta da realidade do mundo e do seu otimismo acrítico, ele é empurrado para sua interioridade fechada da introspecção e o máximo que pode experienciar seriam processos vazios de cálculos da mente, um jogo da mente consigo mesma. Restando apenas apetites e desejos , anseios sem sentidos de seu corpo , considerados “não razoáveis” por não poder “razoar”com seus cálculos. Essa consciência súbita da imortalidade, de que o dinheiro não compra tudo ou dinheiro nem se quer pode ser usufruído neste momento e nas populações mais vulneráveis a incapacidade de manter sua própria subsistência têm gerado crises de pânico e, muitos casos de suicídio. Um recente artigo publicado no Lancet Psychiatry discute a situação da atual pandemia de Covid-19 e, dentro de suas consequências, especula sobre um possível aumento nos índices de suicídio. Quanto mais a doença se espalha, mais efeitos de longo prazo podem ser sentidos em diversas áreas da vida. O isolamento trouxe essa imersão do homem dentro de si mesmo, para Arendt antes da noção de imortalidade nenhuma das capacidades superiores do homem era necessária para conectar a vida individual à vida da espécie; a vida individual torna-se parte do processo vital e o necessário era trabalhar para garantir a vida de cada um e de sua família. Tudo o que não fosse exigido como ciclo da vida era posto como supérfluo. Uma sociedade entorpecida por sofrimentos individuais, mas que sucumbiam essas dores num tipo de comportamento “funcional”. Para Arendt uma carapaça de aço. O pensamento posto como cálculo podendo ser facilmente substituído por máquinas. A alteridade (alteritas) apresenta-se na presente obra como um aspecto importante a ser observado ,a concepção que parte do pressuposto básico de que todo o ser humano social interage e é interdependente do outro. Arendt afirma, a existência do "eu-individual" só é permitida mediante um contato com outro, pois se trata de algo que ocorre somente na pluralidade humana, sendo que todas as definições são distinções, na qual não podemos dizer que uma coisa é, sem distingui-la de outra. Analisando desta forma, um dos aspectos mais marcantes da complexidade da condição humana é certamente o caráter “paradoxal” dessa “pluralidade de seres únicos”, desse “viver como um ser distinto e único entre iguais”(ARENDT, 2014, p. 223). E isso está ocorrendo mesmo no isolamento, pois ainda assim somos plurais. No contexto político neoliberal houve resistência em abrir mão do trabalho para auto preservar-se. O capital posto acima da vida humana por muitos lideres mundiais foi ponto de partida para um pensamento critico da sociedade. Parte dos membros da sociedade homo laborans obrigaram-se a colocar em segundo plano suas profissões, tida como a própria vida, em prol da manutenção da vida biológica e estes foram arremessados dentro de si mesmo, conscientizando-se de seu total individualismo. Observando o contexto pandêmico mundial parece ter havido uma quebra de paradigmas, na qual, podemos enxergar coisas positivas, como por exemplo,o abandono desse individualismo, a pratica da alteridade como desmoronamento desse sofrimento isolado, colocamo-nos ante a dor do outro. Houve mudança de valores por parte de muitos integrantes da sociedade, estes passam a elevar a escala do valor da vida humana, esta passa a ser mais importante do que gerar capital e também a busca pelo autoconhecimento torna-se indispensável para a convivência consigo mesmo no isolamento social. Sendo assim um pouco mais de humanidade na humanidade. Ao contrário da solitude, condição de quem se isola propositalmente ou está num período de reflexão e de interiorização, o isolamento imposto pela pandemia do COVID-19 foi algo abrupto, imposto. A maioria não estava preparada para estar a sós consigo mesmo e encarar suas feridas ou seu completo esvaziamento de sentido. E por meio desse esvaziamento ou nadificação possibilitou-se construir uma nova subjetividade com mais empatia e valores humanos. Hannah Arendt finaliza sua obra com uma frase de Catão que serve para refletirmos sobre o contexto atual : “Nunca se está mais ativo que quando nada se faz, nunca se está menos só que quando se está consigo mesmo.”

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Na contramão…

Ando anestesiada observando o caos que estamos vivendo em nossa sociedade, inerte. Falamos em progresso da sociedade, mas achamos insignificante o autodesenvolvimento, a autorreflexão. Tudo me parece muito raso, a maioria não quer saber de “textão”. É preferível frases prontas e curtas e delas tiram suas próprias conclusões. E lógico, nada pode ser contrário ao que pensam. Afinal, a opinião é que vale. Será?
As redes sociais deram voz para pessoas que se aprofundam em nada, não pesquisam um ponto vista contrário aos seus, em livros, artigos científicos de pessoas que dedicaram a vida pesquisando determinados temas, afinal para que serve a ciência, se posso montar minha própria tese baseado no achismo? E para que ler se já tenho uma opinião? Porque opinião não é conhecimento. Senso comum não é conhecimento. E por tudo ser muito raso, quando acaba o argumento, começam os ataques pessoais. O importante é ter “RAZÃO”, nosso ego precisa vencer a disputa, não há uma troca de conhecimentos, uma busca pela verdade, um ponto comum, um consenso.
Vejo tanta intolerância em pleno Século XXI, tantas coisas bizarras, palavras agressivas. Rasgaram os livros de história, cuspiram na cara dos filósofos, humilham os professores, pisoteiam nos miseráveis, oprimem os “diferentes”. Tiraram as máscaras da falsa polidez, do politicamente correto, soltaram seus monstros internos. A ignorância vem vencendo o conhecimento. E a ignorância tem seguidores fanáticos, disfarçados de pessoas de bem. E há quem dirá que isso é papo de comunista, sem ao menos pesquisar o conceito dessa palavra.
Enquanto isso, eu ando na contramão, com medo de ser esmagada pela multidão cega, surda, mas que tem voz. Desvio, cambaleio e sigo em frente.
Creio que a única forma de mudar esse contexto é através da educação e a mesma vem sendo desmantelada. Professores sem voz, escolas sucateadas, universidades desmoralizadas por pessoas que nunca, se quer, frequentaram uma universidade. Será que isso tem algum propósito? Tire suas próprias conclusões.
Enfim, esse é apenas um ponto de vista, o ponto de vista reles professora de filosofia com insônia pensando sobre : O que será do nosso futuro?

AMARAL, Janice


quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Bioética- James Rachels

Bioética-Rachels
No livro Elemento da Filosofia Moral de James Rachels ele conceitua a filosofia moral como uma tentativa de alcançar um entendimento sistemático da natureza da moralidade e do que ela exige de nós.
O primeiro capítulo desenvolve uma discussão sobre a natureza da moral. Faz isso se utilizando de três exemplos práticos nos quais a decisão moral não é simples.Irei discorrer sobre o primeiro exemplo, o caso da bebê Teresa ,bebê anencefálico, este caso é apresentado em toda a sua complexidade e dificuldade de resolução.
Nesse caso da bebê Thereza, uma menina que nasce com anencefalia, os pais decidiram doar os órgãos da menina, no entanto, essa prática não foi autorizada porque a lei da Flórida proíbe a retirada de órgãos até a morte do doador e baseados em vários argumentos. Nove dias após o seu nascimento a menina morreu e seus órgão não puderam ser doados.
Argumentos filosóficos foram utilizados pelos médicos para não atenderem ao pedido dos pais:
Primeiro: Não devemos utilizar as pessoas como meios para fins de outras pessoas.
Segundo: É antiético matar a pessoa A para salvar a pessoa B
Especialistas utilizaram o argumento do Benefício para justificar o pedido dos pais:
O Argumento do Benefício: A sugestão dos pais baseou-se na ideia de que, como Theresa não tinha chances de viver e morreria brevemente que outra criança poderia se beneficiar dos seus órgãos. O raciocínio: Se pudermos beneficiar alguém, sem causar danos a ninguém, deveríamos proceder assim. O transplante beneficiaria outras crianças sem prejudicar Theresa.
Esse argumento é válido já que para Theresa continuar viva não traria benefício algum e doar os órgãos beneficiaria outras crianças.
Argumentos Contrários:
Pessoas não devem ser utilizadas como meios:
Primeiro: É errado usar as pessoas como meios para fins de outras, e retirar os órgãos de Theresa seria usá-la em benefício de outras crianças.
Usar pessoas normalmente envolve violação de autonomia , que envolve trapaça, fraude ou coerção.
No caso de Theresa ela não é um ser autônomo, jamais seria; É incapaz de tomar qualquer decisão por si própria.
Nesse caso há duas diretrizes:
O que poderia ser feito para seu próprio bem?
Nesse caso a doação seria a retirada dos órgãos, pois seus interesses nãos seriam afetados
E se ela pudesse escolher o que ela diria?
Nesse caso jamais saberíamos, e a decisão tem de ser tomada por ela, e fazermos o que acharmos melhor.
Argumento do Erro em Matar:
Especialistas em ética apelaram para o argumento que é errado matar uma pessoa para salvar outra e retirar os órgãos de Theresa seria matá-la para salvar outras vidas, eles afirmaram, eles afirmaram então matar seria errado.
O argumento é válido?
A proibição de matar está entre as regras morais mais importantes. No entanto há controvérsias, algumas exceções são justificáveis. No caso de Theresa:
- Ela morrerá brevemente de qualquer forma;
- A retirada de órgão traria algum benefício para outras crianças;
Poder-se-ia considerar que a bebê já estivesse morta? Poderíamos considerar a morte cerebral?
Pessoas acéfalas não preenchem as exigências técnicas para a morte cerebral, mas essa definição deveria ser redefinida já que elas não possuem cérebro ou cerebelo e sendo assim a retirada dos órgãos não seria considerado matá-la.
O autor considera o argumento de doações de órgãos mais fortes que os contrários, este também me parece o argumento mais relevante.

Liberalismo e socialismo e as correntes Feministas


O presente trabalho tem como objetivo apresentar alguns aspectos do socialismo e do liberalismo na teoria política contemporânea e suas correntes feministas, assim como afinidades e contrapontos na perspectiva feminista de Diana Maffía. Para entendermos melhor será necessário discorrer sobre as duas linhas ideológicas e suas funções sociais.
Liberalismo
Antes de apresentar o ponto de vista de Diana Máffia sobre o liberalismo é necessário discorrer um pouco sobre o contexto histórico. John Locke foi um filósofo inglês do século XVIII que exerceu muita influência sobre todo o pensamento político desde então. Um dos aspectos importantes da filosofia de Locke foi o conceito de “tabula rasa”, a ideia da “folha em branco”. Segundo este filósofo, todas as pessoas nascem sem qualquer ideia ou conceito. Isto quer dizer que não nascemos sabendo o que é certo ou errado, o que é bonito ou feio, entre outras coisas. Ninguém quando nasce já sabe se existe Deus ou não, qual a forma certa de educar os filhos ou qual o lugar que deve ocupar na sociedade. Tudo o que sabemos na vida, seja o que for, aprendemos com a educação, com a convivência, isto é, socialmente. Fora da vida social não se aprende nada. É senso comum que em determinado ponto do desenvolvimento do homem, este se juntou para formar o Estado. As teorias mais recentes dizem que depois de viver por dezenas de milhares de anos em bandos nômades, os humanos, provavelmente por fatores climáticos, não encontraram mais abundância de caça e viram como alternativa a prática mais intensiva da agricultura – eles já conheciam o processo de semear e colher certos vegetais. Com a prática mais intensiva da agricultura tiveram que se fixar em determinada região, perto de um lago ou rio, onde houvesse abundância de água. Ali, provavelmente, cada um foi tomando conta de um pedaço de terra e iniciando a plantação. O tempo foi passando e outras famílias se fixaram na região. As relações sociais foram se tornando cada vez mais complexas; era necessário criar certas regras sobre como trocar produtos, (o que vale mais a cevada ou o sal?), como evitar fraudes e roubos, como defender propriedades de estrangeiros mal intencionados, etc. Foi nessa hora que os homens daquela aldeia se reuniram, foram pra casa do mais forte (ou o que tinha mais armas) e o elegeram chefe, rei, protetor, legislador, ou algo assim. A teoria da formação do Estado, segundo Locke. Este dizia que os homens antes de se juntarem para formar um Estado, de acertarem o “contrato social”, já tinham certos “direitos naturais”, ou seja, direito à propriedade, à liberdade e à defesa. Quando os homens voluntariamente se juntaram para formar um Estado, não queriam abrir mão destas liberdades que já detinham antes. É por este motivo que em um Estado não podem existir opressores e oprimidos. Locke dizia que as injustiças começam quando certos grupos passam a ter mais poder econômico (propriedade) e com isso dominam o governo e a sociedade. Locke foi chamado de liberal porque era a favor da liberdade para todos os súditos, já que vivia em uma monarquia. Hoje em dia pode parecer uma coisa banal e evidente, mas no século XVIII isto não era nada comum. Salvo a Inglaterra e talvez a Suíça e a Holanda, o restante da Europa (e do mudo) era constituído por reinos absolutistas. O Brasil nesta época era uma colônia abandonada e explorada por uma monarquia decadente e absolutista. Baseado em sua visão da formação do Estado, Locke também estabeleceu que o fundamento do Estado fosse à liberdade, considerando o fato de que todos são iguais perante a lei, de que todos têm direito à felicidade, à liberdade e de decidir que rumo dar às suas vidas, desde que não prejudiquem a liberdade do outro indivíduo. John Locke nos permite pensar sobre conceitos banalizados e por isso esquecidos, como liberdade individual, direito à propriedade e legalidade de um governo. Trazendo o pensamento de Locke para os nossos dias, podemos nos dar conta de quanto suas ideias ainda não foram totalmente colocadas em prática. O feminismo teoricamente se aplicou à luta pela busca de igualdade de gênero, onde homens e mulheres poderiam exercer a mesma função e receber o mesmo salário para isso buscou colocar a mulher como sujeito ativo da sociedade indo muito além de sua predestinação ao casamento e a maternidade (ambos praticamente impostos pela sociedade patriarcal).
O problema segundo Diana Máfia é que muito antes do contrato social celebrou-se um implícito contrato sexual que atribuiu às mulheres o trabalho emocional e doméstico. A divisão entre público e privado agradava apenas aos patriarcas e esses mesmos que estabeleciam as ditas leis liberais. E de outro lado, os “períodos de mudanças” progressistas como Renascimento, a Revolução Francesa e algumas revoluções que se pretendiam libertadoras para a humanidade foram profundamente regressivas para as mulheres. A critica feminista ao liberalismo contemporâneo impugna a armadilha que o ideal de cidadania encerra construído pela justa medida dos patriarcas ficando asseguradas a estrutura da família tradicional e a preeminência do homem.
Socialismo
As grandes transformações econômicas, políticas e sociais que ocorreram na Europa no fim do século XVIII e início do século XIX, foram acompanhados por teorias e doutrinas que buscavam condenar ou reformar a ordem capitalista burguesa. Estruturaram-se então as teorias socialistas, vinculada a um novo ramo da ciência, economia política. Com a industrialização e o êxodo rural, com o predomínio dos latifúndios no campo e das fábricas nas cidades, onde vivia grande número de miseráveis, a Inglaterra adquiria uma nova configuração social. Não existia nenhuma legislação trabalhista, as jornadas de trabalho nas fábricas, instaladas em locais insalubres, eram na maioria superiores a 14 horas. Além das condições sub-humanas de trabalho, os operários enfrentavam enormes dificuldades em época de guerra, como as do período napoleônico, quando a fome se disseminou pelo continente europeu, em consequência dos elevados preço dos gêneros alimentícios. Mais grave ainda era o efeito provocado pelo emprego cada vez maior de máquinas no processo produtivo, onde o trabalho humano ficava sujeito a uma menor remuneração. O descontentamento só aumentava, a medida que cresciam as razões para os conflitos, prenunciando uma revolução social. Surgiram as primeiras organizações trabalhistas que buscavam organizar as lutas das classes operárias, sendo vistas como organizações criminosas pelos industriais. As reações operárias aos efeitos da Revolução Industrial fez surgir críticos que propunham reformulações sociais para a criação de um mundo mais justo, eram os teóricos socialistas. Entre os vários revolucionários, o mais célebre teórico socialista foi o alemão Karl Marx, com passagem pela França e pela Inglaterra. Marx testemunhou as transformações sociais decorrentes da industrialização. Com a colaboração do pensador, também alemão, Friedrich Engels, às vésperas da Revolução de 1848 na França, publicou o Manifesto Comunista. Nele Marx critica o capitalismo, expõe a história do movimento operário e termina com o apelo pela união dos operários no mundo todo. Em 1867 publica sua mais importante obra O Capital, onde sintetiza suas críticas à economia capitalista, o que causou nas décadas seguintes uma revolução na economia e nas ciências sociais. Pra Marx, as condições econômicas e a luta de classes são agentes transformadores da sociedade. O triunfo do proletariado e o surgimento de uma sociedade sem classes seriam alcançados pela união da classe trabalhadora organizada em torno de um partido revolucionário. 8 A tradição do socialismo revolucionário parte de uma perspectiva diferente. Marx e Engels, em escritos que datam de 1848, mostraram que a opressão sobre as mulheres não surgiu da cabeça dos homens, mas do desenvolvimento da propriedade privada e, com ele, da emergência de uma sociedade de classes. Para eles, a luta pela emancipação das mulheres é inseparável da luta pelo fim da sociedade de classes, isto é, da luta polo socialismo. Marx e Engels também fizeram notar que o desenvolvimento do capitalismo, baseado nas fábricas, trouxe profundas mudanças na vida das pessoas e, especialmente, na vida das mulheres. Foram reintroduzidas na produção, de onde tinham sido progressivamente excluídas.
A primeira sugestão é o desmascaramento da paródia de universalismo do sujeito eurocêntrico. Segunda sugestão é através das práticas desenvolvidas nos movimentos feministas na busca por novas formas de exercício de distribuição de poder e distribuição social, desarticulando as dicotomias que dificultam a criação de novas alternativas.
CONCLUSÃO:
Tanto o Socialismo quanto o liberalismo possuem afinidades e contra pontos aos movimentos feministas, no entanto, a luta da mulher vai, além disso, quando falamos de igualdade, falamos da condição humana, como seres pensantes, como trabalhadoras, como ser humano que possui subjetividade que independe de ideologia. Somos parte da sociedade, parte do mundo, parte da história. Somos simplesmente humanas, femininas acima de feministas e nem por isso somos frágeis. A prevalência da força física masculina não desmerece a força da alma da mulher que luta pela sua família, para ter independência financeira, que ainda cuida dos filhos com amor. As mulheres vêm mostrando seu valor através da história e acredito que através do exemplo que nós mostramos nossa força. É através de ações que mudamos o mundo e a história.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Reale, Giovanni, Antiseri Dario, História da Filosofia Vol. II, Paulus Editora: São Paulo, 1990, 889 pgs.
História da Civilização Ocidental Vol I, Editora Globo: Porto Alegre, 1971, 5

Movimentos Feministas

O feminismo teoricamente se aplicou à luta pela busca de igualdade de gênero, onde homens e mulheres poderiam exercer a mesma função e receber o mesmo salário para isso. Buscou colocar a mulher como sujeito ativo da sociedade indo muito além de sua predestinação ao Casamento e a maternidade (ambos praticamente impostos pela sociedade patriarcal).
Falar em feminismo, se autoproclamar feminista, leva a determinados preconceitos, como relacionar a feminista a mulheres que não se relacionam com homens, a mulheres mal resolvidas consigo mesmas, ou até se cogita que a mesma é uma luta sem sentido, visto que para a grande maioria da sociedade a mulher já ocupou todos os espaços sociais que o homem circunda. Agora falar de feminismo sem falar sobre o preconceito contra as mulheres, até mesmo de filósofos que consideravam a mulher intelectualmente inferior ao homem fica difícil de explanar uma perspectiva sobre ao assunto.
No presente trabalho abordarei alguns problemas ainda presentes em nossa sociedade no que tange os movimentos feministas.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
No livro Arthur Schopenhauer e a Arte de Lidar com as Mulheres fica claro o preconceitos contra a mulher disseminado no decorrer da história. Arthur Schopenhauer nasceu em Danzig, no dia 22 de fevereiro de 1788. Filho de comerciante e uma poetisa.
Desde a Grécia antiga passando pelo período medieval a mulher foi considerada inferior ao homem e deveria ser submissa a ele. Para Schopenhauer as mulheres são seres por natureza inferiores e são culpadas pelas desgraças do mundo e por perpetuar a espécie. Que sua beleza dura tempo suficiente para atrair o macho a fim de reproduzir-se.
Lembrando que Schopenhauer era um filósofo considerado pessimista e tinha sérios problemas de relacionamento com sua mãe, uma poetisa renomada com uma vida um tanto quanto promíscua após a morte de seu pai.
Para ele a mulher é uma mera distração do Homem para fugir do tédio que caem em suas armadilhas de sedução. E elas são o exemplo maior de vontade e falta de controle, pois só servem para gastar o dinheiro dos maridos. Se não fosse a Mulher a Humanidade seria extinta e esse seria o melhor dos fins.
Esse é apenas um ponto de vista, de um filósofo bastante conhecido e estudado e também considerado um pessimista. O fato é que esboça com grande força o que muitos homens contemporâneos pensam sobre as mulheres.
Os movimentos feministas surgiram para mostrar que apesar da mulher ter suas limitações físicas com relação ao homem, intelectualmente elas são iguais ou até mesmo superiores em muitos aspectos e reivindicando seus direitos.
O Projeto de Lei 5069/2013 prevê que as vítimas de estupro só poderão receber atendimento hospitalar após a realização de um exame de corpo de delito, realizado pelo Instituto Médico
Legal, depois de terem registrado queixa na polícia. Além disso, só considera violência sexual os casos que resultam em danos físicos e psicológicos. Hoje, a lei brasileira considera violência sexual qualquer forma de atividade sexual não consentida. Além disso, a proposta remove do atendimento de saúde os tratamentos preventivos como a pílula do dia seguinte e o coquetel anti-HIV, o fornecimento de informações às vítimas sobre os direitos legais e todos os serviços sanitários disponíveis a ela. No Brasil, casos de estupros são um dos poucos em que o aborto é permitido por lei. O projeto em questão acaba com esse direito, com o argumento de que pretende “refrear a prática do aborto, que vem sendo perpetrado sob os auspícios de artimanhas jurídicas, em desrespeito da vontade amplamente majoritária do povo brasileiro”.
PROJETO DE LEI Nº 2013 (Do Senhor Eduardo Cunha e outros) Acrescenta o art. 127- A ao Decreto-Lei no. 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal O Congresso Nacional decreta: Art. 1º. O Decreto-Lei nº. 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal) passa a vigorar acrescido do art. 127-A, com a seguinte redação: “Anúncio de meio abortivo ou induzimento ao aborto Art. 127-A. Anunciar processo, substância ou objeto destinado a provocar aborto, induzir ou instigar gestante a usar substância ou objeto abortivo, instruir ou orientar gestante sobre como praticar aborto, ou prestar-lhe qualquer auxílio para que o pratique, ainda que sob o pretexto de redução de danos: Pena: detenção, de quatro a oito anos. § 1º. Se o agente é funcionário da saúde pública, ou exerce a profissão de médico, farmacêutico ou enfermeiro: Pena: prisão, de cinco a dez anos. 2º. As penas aumentam-se de um terço, se é menor de idade a gestante a que se induziu ou instigou o uso de substância ou objeto abortivo, ou que recebeu instrução, orientação ou auxílio para a prática de aborto."


Dados do Fundo das Nações Unidas para as Mulheres:

SAÚDE
Apesar do aumento na proporção de mulheres que receberam assistência pré-natal, a África Subsaariana sozinha registrou 270 mil mortes maternas em 2005, isto é, metade das mortes maternas no mundo.
EDUCAÇÃO
Em nível global, a taxa de meninas em idade escolar matriculadas na escola primária aumentou de 79 para 86% no período de 1999 a 2007. Mas na África Ocidental e Central existia uma das menores taxas do mundo, com menos de 60% das meninas em idade escolar, matriculadas na escola.
As meninas representam 54% das crianças em idade escolar fora da escola (58% em 1999). A proporção de meninas fora da escola é maior nos Estados Árabes: 61%.

TRABALHO
Os salários das mulheres representam entre 70 e 90% dos salários de seus colegas masculinos.
“O emprego vulnerável” – trabalho por conta própria e contribuição para o trabalho familiar – é predominante na África e na Ásia, especialmente entre as mulheres. Esses trabalhadores sofrem com a precariedade e falta de redes de segurança. As mulheres ainda são raramente empregadas em trabalhos com status, poder e autoridade, e em ocupações tradicionalmente masculinas.
A maternidade continua a ser uma fonte de discriminação no trabalho. Mesmo com a legislaçã protegendo a maternidade, muitas mulheres grávidas ainda perdem seus empregos, e processos nesta área são comuns nos tribunais.
PODER E TOMADA DE DECISÃO
Chefes de Estado ou de Governo são cargos que ainda são quase que “imperceptíveis” para as mulheres. Em 2009, apenas 14 mulheres no mundo ocupavam estas posições. (pág.117) Em apenas 23 países as mulheres compõem uma massa crítica – mais de 30% – na câmara baixa de seu Parlamento nacional.
VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

As mulheres são submetidas a diversas formas de violência: física, sexual, psicológica e econômica – tanto dentro como fora de suas casas. Taxas de mulheres vítimas de violência física pelo menos uma vez na vida variam 12% a mais de 59%, dependendo de onde vivem.
A mutilação genital feminina mostra uma ligeira diminuição na África.
MEIO AMBIENTE
As mulheres nas zonas rurais da África Subsaariana são geralmente responsáveis pela coleta de água. Uma viagem de ida e volta para a fonte de água leva em média uma hora e 22 minutos em áreas rurais na Somália e uma hora e 11 minutos em áreas rurais na Mauritânia.
A maioria das famílias na África Subsaariana e no Sul e Sudeste da Ásia utilizam combustíveis sólidos para cozinhar ou fogões tradicionais sem chaminé, afetando desproporcionalmente asaúde das mulheres.
CONCLUSÃO
A luta por melhorias continua:
No Brasil dentre os números alarmantes de violência sexual, doméstica e de uma sociedade extremamente machista, basta lembrarmo-nos das pesquisas do ano passado sobre como o brasileiro entende o estupro, caminhamos na sanção de uma nova lei a fim de proteger as mulheres vítimas de violência O crime chamado de feminicídio, assassinato de mulheres, passa a ser considerada hediondo. A intenção é que as punições e as medidas preventivas se tornem mais efetivas, assim como a lei Maria da Penha trouxe uma diminuição de 10% dos casos de violência doméstica, pretende-se intimidar os agressores de forma mais eficaz. No entanto, os movimentos feministas estão longe de resolver todos os problemas, mas a mobilização de toda a sociedade e leis que protejam os direitos da mulher caminham a passos lentos.
Acredito que a aproximação entre teoria e ação pode acelerar a eficácia dos movimentos feministas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
DURANT,Will. A História da Filosofia, Coleção os pensadores. Editora Nova
http://mmbiodireito.jusbrasil.com.br/artigos/249369712/a-lei-9434-97-e-o-aborto-de-fetosanencefalos
http://www.unifem.org.br/003/00301009.asp?ttCD_CHAVE=126144)
http://www.unifem.org.br/

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Sobre opiniões e ideologias diferentes das nossas...

Não entendo o porquê é tão difícil aceitar que uma pessoa pense diferente da nossa forma de pensar?Por que é tão difícil aceitar que não precisamos pensar todos da mesma forma? Pessoas são criadas de formas diferentes, com valores diferentes. Então por que não respeitamos a forma como o outro pensa, sendo que esta não influencia na sua vida?E por que temos tanta certeza que nossa forma de pensar é a correta?Confesso que tenho dificuldade de entender isso. Parece que estamos vivendo a “Santa inquisição” novamente onde todos são julgados o tempo todo por seus valores morais. E se houvesse fogueira para os ditos infames, tenho certeza que muitos aplaudiriam e se regozijariam e ainda se autodenominariam os benfeitores da sociedade.
O facebook substitui a velha janela dos linguarudos de plantão, e os fofoqueiros apontam os “defeitos” alheios, ao invés de cuidarem de suas próprias vidas. Hipócritas de plantão com seus celulares em punho não perdem a oportunidade de filmar as “falhas alheias”.
Se não houvesse pluralidade de ideias, não haveria evolução no pensamento humano.
Como é fácil julgar sem mostrar o rosto, destilar veneno, ódio e rancor. Assisto tudo sem entender os porquês. Talvez Freud pudesse explicar o mal-estar atual da sociedade. O Fato é que ainda nos prendemos a moralismos, ou melhor, falso moralismo, às ideias retrógradas de progresso a custo do sofrimento alheio. São apenas pontos de vistas diferentes, no entanto, todos têm a liberdade de aceitar ou não, se isso for interferir no seu livre arbítrio ou qualidade de vida.
Será que existe uma solução para tanta intolerância? De fato, creio que enquanto formos constituídos de convicções absolutas e não estivermos abertos a ideias novas e um questionamento de nossos próprios conceitos de “verdades” a intolerância irá continuar. Por outro lado se abrirmos nossa mente, o olho invisível da alma, para ouvirmos pontos de vista diferentes dos nossos, quem sabe não podemos aprender um pouco mais,ampliar nosso mundo, expandir nossos horizontes e criarmos mais empatia com o próximo?

domingo, 26 de agosto de 2018

SOBRE A BREVIDADE DA VIDA

Sêneca foi um dos mais importantes filósofos romanos. Também era político, escritor e dramaturgo. Nasceu no ano 4 a.C. e viveu até o ano 65 D.C e pertencia a escola de filósofos estoicos.
Neste tratado sobre a brevidade da vida, uma epístola (carta) escrita para Paulino, tem no título a clareza do texto. Alguns pontos são destacados por Sêneca, como a não compreensão da natureza, o modo de vida regada a vícios e prazeres, o excesso de trabalho, homens muito ocupados, entre outras analises, críticas e ironias. Tendo como objetivo levar a mudança da concepção do tempo em relação à vida e os movimentos que ela faz em nossa volta.
Sêneca fala sobre a brevidade da vida de uma maneira bem simples, sem muito apelo a termos complexos da filosofia. O que mais fascina, da obra, é como os temas tratados são tão atuais, tendo em vista que a carta foi escrita logo no primeiro século depois de Cristo e estamos em pleno século XXI e as ideias permanecem atuais.
Sêneca explica que o tempo de vida que a natureza nos dá é pequeno se comparado com outros animais, já que conseguimos ver no máximo três ou quatro gerações da nossa família.
Ao mesmo tempo ele cita que o nosso tempo de vida é enorme, e a sensação de brevidade se deve ao fato de fazermos mau uso dele, tal como uma pessoa que herda uma grande riqueza e por ser uma má administradora de recursos gasta-a de forma inapropriada.
"A vida se divide em três períodos: aquilo que foi, o que é e o que será. O que fazemos é breve, o que faremos, dúbio, o que fizemos, certo."
Outra ideia interessante é a de que contamos nossa idade por anos de existência e não anos de vida. “Vivemos” pouco nesse período entre o nascimento e o dia atual, pois se descontarmos o tempo que ficamos doentes, resolvemos problemas alheios ou insignificantes, o tempo gasto no trabalho, enfim, tudo aquilo que não foi dedicado 100% a felicidade, ao aproveitamento pessoal, foi perdido.
E de que nada adianta se privar da vida agora e adiar a alegria para o futuro, quando não temos mais a mesma força e aproveitamento de quando éramos mais jovens.
"Muito breve e agitada é a vida daqueles que esquecem o passado, negligenciam o presente e temem o futuro. Quando chegam ao fim, os coitados entendem, muito tarde, que estiveram ocupados fazendo nada."
Sêneca dá uma aula do porque gastamos um bem tão precioso que é o tempo de vida com pormenores, que trocamos uma vida cheia de possibilidades por uma existência nula e fracassada.
"Não julgues que alguém viveu muito por causa de suas rugas e cabelos brancos: ele não viveu muito, apenas existiu por muito tempo."
Seu modo de vida foi questionado, pois entrava em contradição, muitas vezes, com suas teorias. Pagou com a própria vida e morreu de forma lenta e dolorosa, tendo tempo para refletir e ainda ditar cartas para seus discípulos.

TRAÇOS FILOSÓFICOS NA OBRA
Difícil distinguir se é uma obra filosófica ou literária, pois trata de questões profundas sobre a natureza ,vida, morte, modos de vida, porém ele trata desses assuntos de forma literária, fluida, sem a densidade de algumas obras filosóficas.

A MORTE DE IVAN ILITCH (( LEV TOLSTÓI)

O autor Tolstói consegue nos remeter ao cenário, consegue despertar o imaginário, o defunto de cor amarelada, nariz protuberante, a cena do velório, as minúcias de sua narração.
Tolstói através do livro A Morte de Ivan Ilitch faz uma critica social sobre as convenções e de como as pessoas conduzem suas vidas de acordo com o que é imposto pela sociedade. Pessoas que utilizam seus trabalhos burocráticos como refúgio de uma vida medíocre e infeliz, com a justificativa de que está tudo bem e que assim deve ser. Ele é ácido ao descrever a vida de um homem que possui um casamento fracassado, mas que justifica sua infelicidade através de uma carreira jurídica “bem-sucedida”, onde ele se torna um objeto padronizado e se orgulha por isso. Tolstói através de Ivan Ilitch mostra como as pessoas se desumanizam compensando suas dores e angústias pela mera remuneração material e ostentação de objetos de consumo e como consequência atraindo bajuladores para inflar seu ego. E somente com a chegada da morte e a consciência de que ela é inevitável a todos nós, passamos a questionar se a vida foi vivida da melhor forma.
A lida instrumental com o mundo torna as relações humanas superficiais, o fingimento passa a ser algo natural mesmo dentro das suas relações familiares, falsa polidez, falsa preocupação com o outro mantêm o mundo de aparências felizes. Seu mundo se desconstrói através da dor, da angústia da morte, da solidão das barreiras de polidez levantadas e que não podem mais ser derrubadas.
A única relação verdadeira que conseguira estabelecer foi com seu criado Guérassim, pois esse não escondia a piedade que sentia pelo moribundo destituído do título de juiz, para ele havia apenas um ser humano mortal que precisava de cuidados e isso conquistou a simpatia de Ivan Ilitch que pode sentir um pouco de autopiedade.
A sensação de que desperdiçara sua vida, não amenizou sua dor física, pelo contrário provocou outro tipo de dor, a dor moral, sentia-se um fracassado diante de sua incapacidade de demonstrar fraqueza e de não poder mais mudar sua história.

Notas de Subsolo

Notas de Subsolo é um livro ácido, porém de um sarcasmo ávido, na primeira parte relata a crise existencial de um funcionário público aposentado aos quarenta anos, que julga já estar no final da vida. Faz questionamentos existenciais sobre o ser e o nada,questionamentos sobre o dever moral, sobre a consciência de si e a inteligência ser um mau. Utiliza-se do sarcasmo e ironia o que o assemelha com Sartre na obra a Náusea. Faz alusão a Kant. Fala sobre a banalidade do mau como instinto natural ou leis da natureza e da culpa que a consciência (razão)traz consigo diante dessa lei natural. Questiona nossa aceitação e resignação diante de verdades prontas.
Na segunda parte ele demonstra espanto diante dos defeitos alheios, o que para os outros parece natural. Muito semelhantes com “o paquidermicamente prostrado ali” Sartreano.
Julga-se um covarde e um escravo por pensar criticamente e se diferenciar dos outros, os outros a quem ele denomina rebanho de carneiros com alusão ao comportamentalismo.
Em suas Notas de Subsolo confessa ter se apaixonado por Lisa, uma prostituta, e isso causa repulsa e remorso por julgá-la e expulsá-la de sua vida. Diante de sua própria miséria moral e material se vê impossibilitado de abrir seu coração. Tenta corrigir seu erro, vai atrás dela. É tarde, ela se foi e nunca mais voltou.
Ele continuou seus dilemas morais e ficou com suas lembranças da “verdadeira vida”, a vida fora dos livros, de personagens criados, idealizados. Considera a maioria natimortos que sem livros não sabem o que amar, o que odiar, o que julgar. Em suma julga a falta de autonomia da maioria das pessoas.
Analisando os pensamentos e questionamentos da obra de Dostoiévski, parece muito mais uma obra filosófica do que literária. Um literato com tamanha intensidade que questiona a existência e o conformismo das pessoas diante de ideias impostas. Há vários questionamentos filosóficos referentes a moralidade, leis da natureza e o existencialismo.Um livro que leva a reflexão e e autoanálise.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

MANDELA: LONGO CAMINHO PARA A LIBERDADE

Um filme sobre luta, perdão e amor. Mandela, um homem que se tornou mártir de um país onde a supremacia "branca" o dividiu por cor.

“Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar.” ― Nelson Mandela, Long Walk to Freedom, 1995.


Mandela, líder do movimento anti-apartheid, na África do Sul, foi um homem disposto a dar a vida pela liberdade do seu povo. Não queria ser melhor, apenas lutava por direitos iguais, direito de ir e vir dentro de seu país, direto de votar, direito à dignidade humana.

Mandela fora acusado de terrorismo por ir às ruas lutar pelo seu povo, uma luta injusta, uma luta de homens desarmados contra exércitos. Mandela era contra a violência, mas após anos de resignação de um povo, e a cada dia perdendo seus direitos, resolveu lutar nas ruas. Foi preso e condenado à prisão perpétua em reclusão total. Ele estava preparado para a pena máxima, a pena de morte, mas o juiz alegou que não iria dar esse "privilégio" a ele e seus amigos porque queria mostrar ao povo que as leis funcionavam e que eles poderiam ser "benevolentes".

Numa ilha isolada do Mundo, ficou recluso junto com seus amigos, podia se comunicar com suas filhas apenas por correspondência duas vezes por ano, muitas de suas cartas não foram entregues. Sua esposa podia visitá-lo, mas não podia tocá-lo.

As condições da prisão eram desumanas, sem cama, apenas uma coberta no chão. A degradação moral era constante, seus carcereiros insistiam em repetir que eles eram NADA, apenas animais. Repetiam isso a toda hora. Enquanto quem agia como animais eram os próprios carcereiros, sem um pingo de piedade e submetendo-os a trabalhos escravos.

Mandela, com sabedoria e resiliência, foi conquistando condições mais dignas para ele e os companheiros, conversando, mostrando que era um homem culto, inteligente e educado. Conquistando os carcereiros e o responsável pela prisão apenas mostrando interesse pela vida pessoal deles. E, como tinha uma memória incrível, lembrava-se de cada detalhe do que era contado para ele. Ganhando a cada dia o respeito e admiração de todos.
O povo reivindicava sua liberdade e ele se tornava cada dia mais forte como líder, e sua voz ecoava através do povo e de seu partido liderado pela sua esposa. Ela continuava o movimento para libertação de Mandela e mantinha o partido CNA em busca dos direitos dos negros e anti-apartaid.

Após 18 anos de reclusão máxima, foi transferido para uma prisão com regime mais brando devido a pressões de seu povo exigindo sua liberdade, na qual pudesse abraçar sua esposa e suas filhas. As lutas continuavam lá fora, verdadeiras guerras civis que saíam do controle dos governantes. Esses governantes passaram a pedir o apoio de Mandela para acalmar o povo que estava cheio de desejo de vingança.

O governo queria de Mandela uma declaração que não haveria mais violência em troca de sua liberdade. Mandela disse que não era a favor da violência, mas também não era a favor da prisão de seu povo. A luta tinha que continuar. De nada adiantava sua liberdade sem a liberdade do seu povo.Após 27 anos de prisão, ele foi libertado e o que via nas ruas era desolador, verdadeiras carnificinas. Mulheres e crianças eram mortas em confrontos com a polícia durante manifestações.

Resolveu agir, foi à rádio e pediu ao povo paz e perdão. Se ele que teve sua vida tirada durante 27 anos era capaz de perdoar, eles também deveriam perdoar. Não poderiam agir da mesma forma que seus opressores, pois dessa forma a luta nunca cessaria. A resposta tinha que ser dada nas urnas, de forma democrática. Os negros, assumindo o poder e agindo de forma diferente, igualando todos, sem distinção de cor. Sem guerra, mas com paz.

Frederik Willem de Klerk iniciou negociações para acabar com o apartheid, o que culminou com a realização de eleições multirraciais e democráticas em 1994, que foram vencidas pelo Congresso Nacional Africano (CNA), sob a liderança de Nelson Mandela.

Mandela foi um líder, um exemplo de amor, sua história ficará eternizada. E parece que isso aconteceu há séculos. Por incrível que pareça aconteceu há muito pouco tempo. A intolerância racial é algo desse século. Os negros continuam sua luta contra o preconceito e intolerância. Muitos ainda se consideram superiores por causa da cor de sua pele. No entanto, Mandela conseguiu deixar uma África do Sul melhor e um legado para toda a humanidade: superioridade está nos valores.



sexta-feira, 23 de março de 2018

Ambiguidade e Heidegger

No parágrafo 37 Heidegger discorre sobre a ambiguidade do Dasein. A intenção é fazer uma análise sobre a mundidade do Ser em sua cotidianidade , e para isso há a necessidade de análise do ser um com o outro. Trata-se do senso comum, do “a gente” que emite opinião sem comprometer; Aquilo que é apreendido e expresso e no fundo, não o é, ou então, naquilo que parece e no fundo é. Qualquer um pode dizer qualquer coisa.
A ambiguidade se estabelece no poder ser, nas diversas possibilidades do dasein, no que ainda não esta “aí”. Esta no rastro de, na suspeita disso ou daquilo, no entanto, se o fato vir a se concretizar o interesse morre imediatamente.
O interesse só se mantém nos modos de curiosidade e do falatório, no suspeitar em comum (não há interesse real). Esse ser junto ao outro enquanto “a gente” esta no rastro, rejeita a companhia do outro quando execução do suspeitado se efetiva. Pois com essa efetivação o Dasein tem que voltar para si mesmo.
Falatório e curiosidade na sua ambiguidade preocupam-se com o que é demasiadamente novo e de modo autêntico (na sua facticidade) já tenha se tornado demasiadamente velho para a sua publicidade.
A ambiguidade do Ser interpretado dá um breve discorrer sobre ele e a suspeição curiosa tomada como verdadeira, e a ação e execução carimbada como algo secundário. O outro é aquilo que se ouviu falar dele. O falatório se intromete no ser um com o outro e se fixa em como o outro se comporta e no que dirá a esse respeito. Esse estou um com o outro num eterno vigiar esta sob a máscara de um pelo outro mas na realidade opera um contra o outro ((o inferno são os outros).
O tempo do DASEIN é mais lento e só pode tornar-se livre em suas possibilidades positivas quando o falatório se tornar ineficaz e o interesse público tenham cessado, ou seja, o entender do “dasein” em “a gente” se equivoca quanto as autênticas possibilidades do Ser.
A intenção de Heidegger não é uma análise ética do Ser Humano, mas uma análise conceitual das diversas possibilidades do DASEIN;
Apesar de sua erudição, ele consegue esmiuçar a cotidianidade do Ser com uma simplicidade surpreendente. Confesso que muitas vezes, pensei em desistir de entendê-lo, mas basta um pouco de concentração, esforço e reflexão para entender sua intenção ou , ao menos penso que entendi algo.
Como pode ele ser tão atual? Um Homem à frente do seu tempo, à frente do nosso tempo.
Trazendo sua análise para os dias atuais: O Homem continua o mesmo depois da existência de Heidegger, em sua mundidade, em sua cotidianidade; Vivemos numa sociedade de espetáculo onde as celebridades são espiadas por lentes curiosas e o falatório não se preocupa se o que esta sendo visto é real. Revistas, sites, noticiários de fofocas estão no rastro de, a suspeita de, e quando se averigua o fato, que não era nada daquilo que se pensava, que era apenas especulação, burburinho, a notícia tornara-se velha e a imagem daquele Ser já fora distorcida. E fica difícil de saber quem são os outros reais ou os outros inventados. O facebook é outro exemplo.
O Ser independente do tempo continua o mesmo e em busca de si mesmo, servindo-se do outro como espelho que possa refleti-lo.






sexta-feira, 27 de maio de 2016

O Mundo sangra e pede mais amor ao próximo

A politicagem é o câncer que corrói todo o corpo político e por mais que tentem combatê-lo todas as partes do corpo já estão tomadas, não há mais órgãos sadios. Tudo está putrefato.
A sociedade age de acordo com seus instintos primitivos e como diria Arendt:
“Há outros indícios mais graves do perigo de que homem possa estar disposto e realmente esteja a ponto de converter-se naquela espécie animal da qual desde Darwin ele imagina descender.” (ARENDT,Hannah. A Condição Humana, Ed.2014,pág400).
O Homem é o lobo do Homem como diria Hobbes e nesse canibalismo selvagem há apenas inquisidores na plateia da vida que assistem tudo o que acontece sem saírem de suas cadeiras. Acusadores que vitimizam os culpados e culpam as vítimas.
“Homens” violentam mulheres porque são incapazes de raciocinar e controlar seus instintos animais. Sua ignorância é absolvida por uma cultura de coisificação das mulheres, essas que geram em seus ventres e dão amor incondicional a esses seres ditos humanos.
A política tem o papel de garantir educação, mas os valores morais são valores que devem ser repassados pela família. Esses dois setores ruíram, a política, a esfera pública age unicamente em favor de seus próprios interesses privados e a família que se espelha em seus líderes veem que diante da impunidade das falcatruas e corrupção que não lhe resta mais nada a não ser agir em prol de si mesmo e ignorar o sofrimento alheio, pois afinal ninguém intervém por ninguém. E se houver oportunidade de tirar algum proveito que assim seja feito.
E diante desse caos generalizado o mundo sangra, pai que mata filho, filho que mata pai; “Homens” que estupram meninas, que violam seu corpo e sua alma pelo simples fato de serem belas; Mães e pais que desprezam seus filhos e os deixam a mercê da sorte. Políticos que matam multidões de fome ou em fila de hospitais para garantirem suas viagens à Paris. A banalidade do mal, a banalidade do sofrimento alheio, a banalidade das vidas humanas.
Algumas pessoas conseguem se colocar no lugar do outro e sentirem algum tipo de solidariedade diante do sofrimento alheio apenas quando imaginam que poderia ser com eles ou com um de seus entes queridos e não porque a maldade é errada, imoral e não deve ser feito com nenhum ser humano.
Enquanto isso fingimos que está tudo bem e que nos importamos até que aconteça algo conosco, com alguém da nossa família para então sairmos plateia e agirmos.
A solução? Sinceramente não sei se há. Sei que ainda existem muitas coisas boas sendo feitas, pessoas boas e solidárias, que agem em benefício do seu próximo sem pedir nada em troca. E isso é o que deveria ser seguido e usado como exemplo e não usarmos como amuleto e espelho toda essa falcatruagem e desgoverno para justificar tanta indiferença, maldade e falta de racionalidade. Talvez o amor ao próximo possa ser a solução e ele começa a ser praticado em casa, acolhendo e protegendo nossos filhos e ensinando o que é certo e errado, e principalmente sendo exemplo para eles. Se cada um fizer a sua parte as coisas podem melhorar, mas para isso é preciso consciência, menos julgamento e mais pensamento crítico.

AMARAL, Janice

sábado, 23 de maio de 2015

Pedalar e viver

A vida pode ser comparada a andar de bicicleta:
Nas retas mantemos o ritmo, observamos as paisagens, na vida são os momentos de serenidade que podemos respirar com calma e ver tudo que acontece ao nosso redor, mas é necessário manter o foco para não desequilibrar e cair.
Nas ladeiras deixamos apenas o embalo nos levar, relaxamos totalmente, na vida são os momentos de alegria e bonança, mas não podemos esquecer que logo ali haverá uma lomba e devemos aproveitar o embalo para facilitar a subida.
As subidas exigem mais esforço, assim como as dificuldades, testam seus limites mas com determinação e força conseguimos superar, mesmo que no meio de uma lomba você tenha que descer da bicicleta e empurrar para que possa ganhar fôlego e assim continuar, nas dificuldades também pensamos em desistir, desanimamos ,mas na realidade estamos apenas ganhando fôlego para continuar.
Pedalar exige superação de limites físicos e principalmente mentais, se ficarmos olhando o trajeto ao invés de se concentrar em pedalar acreditamos que não iremos conseguir e na vida se ficarmos focados apenas no futuro e não no presente também podemos acreditar que não iremos conseguir, porque não iremos perceber as possibilidades.
Para manter o equilíbrio é necessário continuar pedalando, para não cansar é necessário manter a cadência, na vida para manter o equilíbrio é necessário seguir em frente e manter cadência.
Pedalar pode ser passeio ou competição, lazer, diversão ou tudo ao mesmo tempo e na vida que tal relaxar...
Pedalar é olhar para frente e sentir a brisa no rosto, viver é olhar para frente e sentir o frescor de viver.
Enfim, pedalar e viver são excelentes exercícios que fazem bem para o corpo e para alma.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Liberdade...

Qual o nosso conceito de liberdade?

As nossas ações são baseadas em nossas vontades e decisões ou condicionadas pelo meio em que vivemos?
Li um texto no Facebook de um autor desconhecido sobre a triste geração que se tornou escrava de sua carreira profissional, assisti o globo repórter uma reportagem sobre a população que busca ganhar seu sustento e fazer o que gosta e nesse paradoxo reflito: Somos escravos de nossas necessidades? Criamos necessidades ? O fato é, não vivemos sem trabalho mas também não vivemos só para trabalhar. E como eterna estudante, leio e Hannah Arendt diz que temos que ser sujeitos de ação, pensar não basta, temos que mudar o Mundo com nosso pensamento, deixar nosso legado. Já Sartre diz que até mesmo quando não escolhemos já fizemos uma escolha. E eu fico pensando o que eu penso?
Penso logo desisto. Penso logo insisto e mesmo que não queira pensar penso. Penso, realmente somos escravos do que os outros pensam?E o que pensamos não tem muita importância? A não ser que sejam memórias póstumas porque enquanto estamos vivos tornamo-nos apenas reles mortais que pensam o que muitos outros pensam. E é neste pensar que pretendo me aprofundar. E não tenho aqui qualquer compromisso em seguir o pensamento de alguém, ou qualquer conhecimento cientifico apenas deixar fluir o que penso.
Voltando a questão inicial: Até que ponto somos livres?
Não somos livres, porque temos que trabalhar para manter nossa subsistência, sendo assim temos que seguir regras e padrões pré-estipulados. Até aí não há problemas, a questão é mesmo quando trabalhamos por conta própria ainda assim somos escravos do nosso trabalho, temos que suprir nossas necessidades primárias, comer ,beber, se agasalhar, ter um teto, enfim...
As palavras escritas podem ser distorcidas pois correspondem a somente a sete por cento da nossa comunicação por isso pretendo ser o mais objetiva possível: Não tenho nada contra o trabalho, pelo contrário, acredito que ele é o que nos torna independentes e que para muitos pensadores seria a sublimação das pulsões, canalizar a energia libidinal para algo realmente importante. A minha reflexão, não irei chamar de critica é será que não estamos desconectados de nós mesmos enquanto seres trabalhadores? Será que estamos dando a devida importância para o que estamos fazendo de nossa existência?
É demasiado cansativo pensar que tudo que pensamos tenha que virar algo concreto no mundo dos intelectuais. E é também demasiado cansativo que no mundo corporativo eu também tenha que ser o “the Best” com relação a diplomas e certificações e títulos.
Pergunto, e com relação a nossa busca pelo auto conhecimento? O que realmente é importante, indiferente do que a sociedade cobra? Se é importante para você deixar um legado, disseminar suas ideias, tudo bem, vá em frente, conquiste esse objetivo.
Se é importante para você ser um diretor de uma Multinacional porque isso é um desafio, uma superação, uma meta de vida, tudo bem, vá a luta, busque com garra e determinação.
Antes de tudo pense, você esta agindo de acordo com a tua vontade?
Enquanto isso busco saber quem sou.

domingo, 29 de março de 2015

Imperativo categórico

Kant acreditava que a religião pautada na teologia era demasiadamente insegura , era necessária pô-la de lado ou até mesmo abandoná-la, acreditava que a conduta do Homem deveria ser pautada numa conduta moral, numa ética universal e necessária com princípios a priori de moral, tão exatos quanto a matemática. “A razão pura pode ser prática ; Isto é,pode, por si, determinar a vontade, independentemente de qualquer coisa empírica”. Critica da razão Prática p31 . Crenças e dogmas só tem valor na medida em que auxiliam no desenvolvimento moral do Ser Humano.
O que é que traz a culpa em nós? Como sabemos que isto ou aquilo está errado? O imperativo categórico que há em nós “Ages somente segundo aquela máxima que possas a todo tempo querer que se tornasse uma lei universal.”
Baseado na teoria acima, ele criou uma ética diferente de todas as outras onde os fins não justificam os meios e sim uma ética da alteridade, respeitando e valorizando o outro, independente do nosso desejo mas fazendo o que é certo de acordo com o exame da razão, dos juízos sintéticos a priori. É aquilo que determina se devemos ou não efetuar determinada ação. E esse agir, é um agir livre que independe de um estimulo externo ou lei estranha . A lei da LIBERDADE efetiva a ligação entre a razão teórica e a razão prática, unidas à obrigação moral. Para que a vontade possa querer por puro dever é necessário que ela seja legisladora de si mesma,ou seja, livre.
O caráter da necessidade e da universalidade conduz a ação. Por exemplo, devo mentir para amenizar uma situação de conflito, sendo que isso me trará benefícios e felicidade? A resposta para Kant é não. Ele não está preocupado com a própria felicidade mas com o DEVER e que se fizermos o que é certo seremos merecedores ou dignos da felicidade mesmo que no meio do caminho tenhamos alguns sofrimentos. A perfeição da alma esta acima da felicidade. Sendo assim podemos acreditar num Deus Superior e perfeito e na imortalidade da alma?
Numa época de grandes debates sobre a ética e relativização da mesma, Kant nos ilumina com uma ética que não há espaço para relativismo ou utilitarismo. São princípios morais em que temos a obrigação de fazer o que é certo, o DEVER pauta a nossa conduta. Uma ética em que devo priorizar o outro, se assim for o correto ao invés de priorizar os meus interesses, onde minha liberdade termina quando passo infringir a liberdade do outro. A alteridade virou uma palavra da moda mas na realidade é pouco aplicada no sentido prático.
As leis muitas vezes são violáveis por serem relativas e de múltiplas interpretações. Elas coagem a ação de fora para dentro, mas o DEVER moral não segue uma regra externa, mas o exame da razão.
No dia a dia é demasiado difícil seguir o imperativo categórico pois vivemos numa sociedade onde ser bom é ser otário, onde ser gentil é falsidade e quando tratamos alguém bem é por algum interesse. E nos filmes geralmente torcemos pelo bandido.
Ano passado houve exemplo de imperativo categórico que repercutiu na mídia: Um senhor encontrou R$ 600,00 no chão, junto um boleto nesse exato valor. O Cidadão foi até a lotérica pagou o boleto, pois o mesmo vencia naquele dia e postou no facebook o boleto pago, não para receber notoriedade, mas para tentar localizar o cidadão que perdeu o boleto e tranquilizá-lo. Se o cidadão que achou o dinheiro resolvesse ficar com o dinheiro, ninguém saberia. Mas como será que estaria a consciência dele?

sábado, 22 de novembro de 2014

A saudade tem o dom do esquecimento


Fico pensando o quanto é interessante isso, o quanto a saudade tem Alzheimer . Esquecer as coisas ruins e lembrar apenas das coisas boas. Isso geralmente acontece quando nos afastamos de pessoas que realmente tínhamos imenso carinho e admiração ou amor e que em algum momento ela nos decepcionou, frustrou nossas expectativas e por vários motivos que com o tempo esquecemos , acabamos ceifando a convivência.
O fato é que muitas vezes, depois de determinado tempo passamos a nos perguntar o que aconteceu de fato? Ao menos, eu sou assim, não guardo mágoas e acabo lembrando apenas das coisas boas. No entanto, se houve um afastamento é porque a convivência se tornou insuportável em algum momento e justamente para manter essas memórias é necessário esse afastamento ou a ruptura de convívio. Amigos, irmãos, namorado são pessoas que nos conhecem ou que acham que nos conhecem e por isso tomam a liberdade de ferir, de julgar e, na maioria das vezes, erroneamente.
Diante dessas pessoas que amamos ou julgamos que amamos o excesso de intimidade pode ser invasivo pois são baseados na emoção e não na razão. E sentimentos podem ser nocivos.E como disse uma sábia colega:"o coração dos homens é enganoso.”
O respeito é como um copo que depois de quebrado não há como consertar. Por isso esquecer não é saudável porque a ofensa uma vez permitida sempre se repetirá no momento da emoção e o melhor é manter o afastamento para preservar as lembranças, assim como um idoso com Alzheimer lembra apenas de seu passado glorioso.
E quanto aquele velho jargão de que o coração tem razões que até a própria razão desconhece serve apenas de muleta para justificar nossa irracionalidade

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Aprendi...

Aprendi que um olhar revela a alma por isso devemos olhar nos olhos...
Aprendi que um abraço pode aliviar uma dor e abrandar um coração, por isso devemos abraçar mais e derrubar barreiras...
Aprendi que a vida ,ás vezes, exige da gente mais do que podemos dar mas que temos que lutar com unhas e dentes na disputa pelo “V” de vitória, enfrentar nossos medos e que não importa que você não tenha conseguido dessa vez ,isso não o torna um fracassado, o que importa é que você não desistiu da batalha e lutou até o último instante com todas as tuas forças...
Aprendi que na arena da vida as batalhas devem ser disputas em equipe, que cada pessoa possui uma habilidade e que nós também temos as nossas habilidades e podemos contribuir e cada um faz a diferença no final.
Aprendi que por mais que estejamos feridos e que essa ferida seja tão profunda não estamos sozinhos e se permitirmos, sempre haverá alguém para nos carregar no colo e cantar uma linda canção de ninar, que as pessoas podem dar amor sem pedir nada em troca e que isso as fará felizes.
Aprendi que aquilo que realmente é importante é invisível aos olhos;
Aprendi que por mais que um caminho seja escuro, não precisamos ter medo pois sempre haverá uma mão para nos guiar...
Aprendi que nos últimos cinco minutos da nossa vida o que realmente importará será ter as pessoas que amamos ao nosso lado para segurar a nossa mão, e que tal, começar a demonstrar isso hoje.
Aprendi que o dia mais feliz da minha vida, não foi o dia que eu comprei o meu apartamento, meu primeiro carro ou ingressei na faculdade , foi ver o sorriso de alguém que amo após ter uma segunda chance. E que o dia mais triste não foi quando levei uma bronca do chefe, quando perdi o emprego ,quando rompi um romance ou quando bati o carro mas quando eu vi a pessoa que eu mais amava fraquejar e chorar.
Aprendi que ao compartilhar uma dor e uma alegria estamos aliviando a alma...e percebemos que todos tem suas dores e suas alegrias..
Aprendi que escutar, ás vezes, é muito mais importante que opinar ou julgar...
Aprendi que há uma criança dentro de cada um, pronta para ser resgatada para passear mãos dadas , andar de cavalo alado, flutuar em nuvens de algodão doce, rir até a barriga doer e dançar como se ninguém estivesse olhando e no final agradecer pelo adulto que você se tornou.
Aprendi que é preciso ser adulto também, que temos que tomar as rédeas da nossa vida, planejar nossos passos, prestar atenção nos detalhes e que aquele que te cobra e que, ás vezes te pune nem sempre é carrasco , esta apenas te protegendo das lições que a vida pode te dar.
Aprendi que temos muitos sentimentos negativos dentro de nós mas que eles podem ser sublimados e utilizados a nosso favor como combustível para conquistar nossos objetivos.
Aprendi que se não controlarmos nossas emoções elas irão nos controlar.
Aprendi que as maiores lições não estão nos livros, e que não importa o seu nível cultural,as maiores lições são extraídas do livro da vida...
Aprendi que temos uma ferramenta preciosa, na qual devemos saudar nosso dia e essa ferramenta fará com que superemos qualquer obstáculo: O AMOR é nossa maior ferramenta para o sucesso.
Aprendi que hoje é o dia mais importante da minha vida e que dele depende o meu amanhã e as sementinhas que eu irei plantar serão os frutos que irei colher.
Aprendi que há pessoas generosas, que se preocupam mais com o próximo do que consigo mesmas e que não importa quão grande seja seus problemas que ao ajudar o próximo esses problemas ficam pequenos e insignificantes.
Aprendi que essa ferramenta poderosa chamada AMOR pode ser utilizada para levar alegria para outras pessoas.
Aprendi que podemos renascer e acordar para um novo mundo, o mundo que tanto almejamos e que só depende de nós.
Aprendi que tenho tanto para aprender.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Irrelevâncias

Ando escrevendo pouco: Falta de tempo, correria do dia a dia; Preguiça mental. Todas essas seriam desculpas para o meu desleixo mas o fato é que estou apenas observando tudo o que acontece e vendo que o que escrevo não possui qualquer relevância diante da realidade ou daquilo que apreendemos como real.
Primeiro: Não dá lucro logo não serve para nada.
Segundo: Textos normalmente possuem mais do que cinco linhas logo perde-se tempo para lê-los e tempo é dinheiro.
Terceiro: Não abordo assuntos polêmicos baseados no achismo para conquistar leitores, isso torna a leitura desinteressante.
Quarto: Não tem apelo pornográfico,nem se referem a vida alheia, sem isso é chato, não é?
Quinto: É necessário reflexão e isso dói e ninguém quer sofrer.
Então vamos continuar vivendo a sociedade do espetáculo onde nossos políticos não possuem formação acadêmica e são desprovidos de qualquer nível intelectual e cultural. Sendo que para qualquer vaga de vendedor(não estou depreciando a profissão, apenas um exemplo) exige-se nível superior e inglês fluente. E para quem irá governar o país é exigido o quê?
Vou me limitar a essas poucas linhas , quem sabe alguém leia até o final.




quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Seu nome é Jonas

Esse semestre me matriculei na cadeira obrigatória de LIBRAS ( língua brasileira de sinais) e para minha surpresa o Professor dessa disciplina é surdo. No primeiro dia de aula fiquei preocupada de como seria para comunicarmo-nos, havia um intérprete que deixou claro que nas próximas aulas ele não estaria mais por ali. Vi as expressões assustadas de alguns colegas, e um deles levantou-se , pediu licença, saiu da sala e não apareceu mais nas aulas.
A comunicação está fluindo, o professor é maravilhoso e muito bem preparado para o cargo que ocupa. É mestre em Libras e leciona na Unisinos há cinco anos.Ontem ele levou um filme para assistirmos: MEU NOME É JONAS que relata a história de um menino surdo.
O filme se passa nos anos 80, e relata todo o preconceito que havia com relação a surdez naquela época. O menino foi diagnosticado como retardado erroneamente e mandado para um hospital que tratava crianças com problemas mentais. Depois de três anos nesse local descobriram que o problema dele era surdez. Ele voltou para casa já com seus sete anos de idade. Esse tempo que passou no hospital atrasou sua alfabetização e começou uma longa batalha para ele se comunicar com as pessoas. A escola normal proibia o uso das mãos para a comunicação, pois considerava preguiça de tentar ler os lábios e balbuciar as palavras. Ele desconhecia as palavras, os fonemas e era forçado a tentar repeti-las como um papagaio.
O preconceito era muito grande, amigos da família e até o próprio pai o taxavam de retardado, gritavam com o menino, mas ele continuava no seu silêncio. Na ignorância deles diziam: Se ele não conhece as palavras e não nomeia as coisas, então ele não pensa. Exceto seu avô que dançava com seu neto , carregava-o na garupa sem se importar com o problema. Sua mãe sofria porque não conseguia saber o que ele sentia. Ele tinha medo do Homem-Aranha, mas a mãe não conseguia explicar para ele que era apenas um brinquedo, que não precisava temer.
Certo dia Jonas jogava futebol com o irmãozinho mais novo e a bola correu para longe,Jonas foi buscá-la , avistou um carrinho de cachorro quente e correu para a mãe para pedir um, puxou ela mas quando chegaram no local o carrinho não estava mais lá e ele gritava porque não conseguia explicar para a mãe o que queria. O carrinho já estava longe, mãe e filho se abraçaram e choraram juntos.
Jonas foi visitar seu avô e estava brincando, dançando com ele, quando de repente o Senhor caiu no chão, todos vieram acudi-lo, a ambulância chegou, levaram-no para o hospital mas ele não resistiu ao infarto. Jonas observou tudo sem entender ,não sabia o que era a morte. No outro dia ele fugiu, pegou um ônibus e foi até a feira onde seu avô trabalhava, queria rever seu melhor amigo, não o encontrou. Saiu correndo dali, aturdido e acabou se perdendo. A policia o localizou e como Jonas não conseguia se comunicar e não sabia quem era aqueles homens, tentou fugir dos policiais, eles o carregaram a força e o levaram para um hospital psiquiátrico pois deduziram que ele era retardado e o amarraram numa cama até a chegada de sua mãe, que ficou furiosa por encontrá-lo amarrado como um bicho selvagem.
A partir daí a mãe decide que Jonas precisa se comunicar e decide procurar outros surdos. Encontra um casal que a convida para ir ao Clube dos Surdos e lá vê outra realidade, pessoas se comunicando por sinais, felizes, bebendo , escutando música(alguns conseguem ouvir alguma coisa e outros apenas sentem a vibração da música) e ali começa a aprender as primeiras palavras da linguagem de sinais.Percebe que o filho poderá levar uma vida normal. Tira Jonas da escola normal, já que não aceitavam uso das mãos para se comunicar e o leva para aprender com outros surdos.
Jonas ganha um professor surdo e estava, num primeiro instante, pouco interessado por aqueles gestos estranhos, até que vê a carrocinha e aponta para o desenho do cachorro quente estampado nela e o mestre o ensina o sinal que representa o objeto de desejo. Ele sorri e entende que uma nova realidade se abre e começa a apontar para os objetos para saber como representá-lo por sinais. Seu irmãozinho aprende junto, sua mãe também , e com muita alegria Jonas aprende a dizer MAMÃE . Chegam a beira de um rio e encontram uma tartaruguinha morta e o professor explica através de sinais que esta morta, ele então entende o que é a morte. Ele guarda a tartaruguinha no bolso e a entrega para sua avó como quem diz: Agora eu sei que o Vovô morreu. A Avó pergunta para o irmãozinho como se diz eu te amo através de sinais, ele a ensina e diz que Jonas também sabe e avó consegue dizer o primeiro EU TE AMO ao neto e os dois se abraçam...FIM
Não preciso dizer que derramei dois litros de lágrimas porque só entendemos o problema do outro quando presenciamos seu drama. Entendi o porquê dessa disciplina e confesso que me apaixonei. Admiro mais ainda o professor Carlos que nasceu surdo e superou todas as dificuldades, fez graduação, mestrado e hoje é um excelente mestre, mostrando que podemos conviver e nos adaptar com as diferenças. Basta abrir o coração.
O filme esta disponível no youtube para quem quiser assisti-lo.

AMARAL,Janice

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Movimente-se

Ontem resolvi ir para a aula de metrô. Tinha esquecido quanto é gostoso poder apreciar a paisagem e até mesmo ler um livro sem ter que me preocupar com trânsito; Sem falar na caminhadinha para chegar até o metrô e do metrô até a Unisinos, o que deve ter sido uns cinco quilômetros. Alguns devem estar pensando que eu sou maluca, para que passar trabalho?
O fato é que hoje em dia, pegamos o carro até para ir à padaria da esquina, o sedentarismo tomou conta e depois que compramos o primeiro carro não queremos “passar trabalho” de jeito nenhum. Ônibus e metrô são coisas do passado. Deve ser por isso que o trânsito está um caos e a cada dia as pessoas estão mais obesas e estressadas.
Quando somos adolescentes e não temos grana nem para o ônibus, andamos quilômetros a pé e nem sentimos e por isso sempre magrinhos. Uma vez eu disse para a professora da academia: “-Depois dos trinta o nosso metabolismo desacelera, é mais difícil emagrecer” e ela respondeu: “Quem desacelera somos nós, não vamos nem na padaria a pé, pensa o quanto você se movimentava quando tinha vinte anos.” Confesso que fiquei com vergonha e concordei com ela.
Também tem o ponto de vista econômico, a passagem de metrô custa R$1,75, quanto custaria a gasolina para fazer o mesmo trajeto de carro? Para voltar da aula havia um central direto na porta da Unisinos, a passagem custou R$3,75, menos que o valor do estacionamento da universidade que custa R$4,00. Levei quinze minutos para chegar em casa, cinco minutos a mais que levaria se tivesse voltado de carro e desci praticamente na porta do meu prédio. Sem falar que é muito mais seguro. Quarta-feira passada quando estava indo para aula tranquilamente bateram no meu carro, nada além do susto e danos materiais, mas o que gera um estresse tremendo. Não que não possa ocorrer com o ônibus mas o risco é menor e podemos vir tranquilamente lendo um bom livro, sem a tensão do trânsito e com motorista particular.
Sei que existem vários pontos desfavoráveis para aqueles que são resistentes a ideia, tais como: De carro eu vou e volto a hora que quero e mais rápido ; os transportes públicos estão sempre lotados; Cheiro de sovaco;Coisa de pobre e assim por diante. São apenas desculpas para deixar a preguiça de lado e movimentar-se. Nos países de primeiro mundo o metrô e ônibus são os principais meios de transporte.
Comece, movimente-se, ande de ônibus, trem, metro, bike,nem que seja uma vez por semana. Saia do sedentarismo, desafogue a BR, aprecie a paisagem, leia um bom livro, relaxe os ombros,desapegue-se,economize, compartilhe um sorriso.